Bom dia! Estou escrevendo esse parágrafo deitando na cama, esperando a terapia começar. Uso um vestido preto, porque logo que a sessão terminar, vou ter que jantar com a minha família. Se eu pudesse apagar esse texto, tiraria o “vou ter que”, e mudaria para “vou”; não é uma obrigação jantar com a minha família, pelo contrário, mas não sei por que saiu assim…desculpe, família! Hoje vamos jantar com um amigo do meu irmão, que é uma pessoa legal, eu acho. Estou escrevendo de pernas cruzadas; a minha perna esquerda está sustentando a minha perna direita. É uma posição difícil de descrever, mas vou tentar; minha perna direita está dobrada, de forma que minha panturrilha apoia no meu joelho esquerdo. Será que dá para visualizar o que estou falando? Não sei, e não importa. Sinto falta das aulas de escrita na Escrevedeira, mas também lembro que no final eu já não conseguia prestar muita atenção; meu cérebro viajava para outros lugares, distrações burras da vida na cidade. Este mês volto para as aulas, vou fazer faculdade de Psicologia (!), e um desejo que tenho é que eu consiga estar 100% presente. Talvez cem por cento é muita porcentagem, mas gostaria de estar ali, inteira. Faltam 4 minutos ainda para o relógio parar. É pouco, mas é muito. Como que eu normalmente demoro tanto para escrever esta newsletter? Fico em busca da palavra perfeita, da frase que encaixa, mas talvez o certo seja só deixar rolar…até porque, será que alguém nota o que digo? Será que alguém lê? Fico muito feliz quando encontro alguém que me fala que lê, gosta etc. Me dá vontade de continuar. Acabei de perceber que tem “alguém” escrito três vezes nas últimas frases; um erro que eu jamais cometeria, sem esse exercício ridículo. Aprendi que repetir palavras é algo que não se faz na literatura. Mas será que é isso mesmo? Porque às vezes tem palavras que só elas mesmas descrevem aquilo, e quero usar elas quantas vezes forem necessárias. Os mulheres (era para ter escrito “melhores”) escritores quebraram todas as regras, tipo o Guimarães Rosa. Que gênio. Quem pode quebrar regras e quem não? Quando o GR quebrou, ele já tinha conquistado esse lugar?
Com amor,
Paula


