Faz um tempo que os Balcãs estão no meu radar. A natureza, a confluência de diversas culturas e a não obviedade me atraem. Em um mundo onde tudo e todos se assemelham cada vez mais, não tem nada mais sexy do que aquilo que se mantém original, e resiste a modismos.
Dizer que Montenegro é intocado seria mentira. Nos últimos anos, o país tem vivido um boom relevante no turismo, o que fica evidente em qualquer passeio pela costa. Tem áreas ultra luxuosas que lembram Mônaco, outras que parecem o Guarujá, e várias que têm a sua própria identidade, mas não são bonitas. Tem que tomar cuidado para não se desenvolver mal.
Dito isso, Montenegro só está atraindo essa gente toda porque é lindo. É realmente muito bonito. Além da beleza natural, é pequeno, seguro e não é caro. É o lugar perfeito para passar 4 dias curtindo, namorando, descansando…
Quando perguntei para um amigo de lá se ele aprovava meu roteiro, ele respondeu dizendo: não esqueça de “não fazer nada”, e em seguida me mandou os “10 Mandamentos Montenegrinos”. Os meus favoritos são: “descanse durante o dia, para que você possa dormir a noite” e “se você ver alguém descansando, ajude-o”.
Com amor,
Paula
Cetinje 🏰
Calhou que eu estava em Montenegro no Dia da Independência. Sendo assim, resolvi começar a viagem por Cetinje, a antiga capital do país. É uma cidade pequena, daquelas em que tudo acontece ao redor da praça principal. Cheguei na véspera do feriado e o clima era de pura celebração; crianças corriam soltas enquanto os mais velhos jogavam conversa fora observando o movimento da praça. Acho que eu era a única pessoa estrangeira.
Cetinje não é imperdível, mas é valido para quem gosta de história. Tem alguns museus, o mosteiro que guarda relíquias importantes como a mão de João Batista, e as embaixadas de quando a cidade era a capital (a da França tem uma arquitetura bastante particular).
Litoral 🏝️
De Cetinje, desci para o litoral, passando pelo Lago Skadar. Se tivesse mais tempo, teria feito um passeio de barco, ido à praia Murići e conhecido o vilarejo Limljani, mas segui direto para a costa. A estrada que me levou até o mar, estreita e sinuosa, é lindíssima.
Sveti Stefan: minha primeira parada no litoral foi o cartão postal de Montenegro. A área se desenvolveu mal, mas é lá que fica o recém-aberto Aman. Os interiores não me encantaram, mas fiquei muito impressionada com as instalações; eles têm 2 praias particulares — são privadas mesmo, quem não é hóspede não pode nem pisar na areia — além da ilha em que fica a parte principal. O Nammos, famoso beachlub de Mykonos, tem uma filial ao lado do hotel.
Kotor: pulei a cidade de Budva, a mais turística, e fui direto para Kotor. Essa antiga cidade medieval também atrai turistas demais para o meu gosto, mas vale conhecer para subir a fortaleza antiga e ter a vista de toda a baía. Há 5 minutos da cidade, é possível pegar um teleférico até o parque nacional Lovcen; quem me deu essa dica improvável e imperdível foi meu amigo montenegrino. Lá em cima tem um bar legal com uma vista surreal, o Monte 1350. Não acho necessário dormir em Kotor, mas pode ser conveniente por ser próximo do aeroporto de Tivat. Nesse caso, sugiro o Historic Boutique Hotel Cattaro; tem uma decoração meio kitsch, e um bom café da manhã no terraço com vista para a praça.
Perast: passando Kotor, a próxima cidadezinha é Perast. Este minúsculo vilarejo em cima da água, em que carros não são permitidos, é uma graça. A maioria das pessoas vai apenas para passar o dia, mas eu preferi me hospedar lá, em vez de dormir nas vizinhas mais movimentadas. O hotel Heritage Grand Perast é ótimo, e jantar um belo peixe em cima do mar no Conte é especial. Outro restaurante excelente fica próximo a Perast, o Stari Mlini, que ocupa um antigo moinho de farinha e pertence à mesma família há 40 anos. Durante o dia, recomendo pegar um barquinho para conhecer a igreja Nossa Senhora das Rochas, que fica em uma ilhota em frente a Perast, ou ir à praia Bajova Kula.
Quero maiZ: se você seguir na estrada passando Perast, chegará na Croácia. No caminho estão os restaurantes Ćatovića Mlini, o beachclub Adriatica, a vinícola Savina, e o hotel One&Only Portonovi.
Prčanj: a baía de Kotor tem um formato bastante particular, com alguns “dentes”. A parte onde está Prčanj é bem tranquila, e é uma opção boa para se hospedar (o Palazzo Sbutega é um charmoso hotel boutique com apenas 4 quartos). Vale fazer uma boa caminhada ou um passeio de bike por esta margem, para observar Kotor e suas montanhas de outro ângulo. Se quiser um desafio a mais, é possível subir até o topo da montanha Vrmac, uma trilha que pode durar entre 3 e 6 horas, dependendo da rota escolhida.
Porto Montenegro: se contornar o braço onde está Prčanj, eventualmente chegará em Porto Montenegro, o principal porto de grandes iates do Mediterrâneo. Hotéis cinco estrelas, lojas internacionais e restaurantes refinados como o Al Posto Giusto compõem o mega empreendimento.
Península Lustica: esta foi a região de que mais gostei. Para quem gosta de estrutura, sugiro o Amara Beach Club. Agora, quem prefere praias mais selvagens, a Azra é uma boa pedida; fica em frente à ilha de Mamula, onde hoje tem um hotel cinco estrelas. De um jeito ou de outro, sugiro emendar o programa com um almoço tarde no Ribarsko Selo; é delicioso, e tem um clima ótimo. Não deixe de pedir a salada de tomates; eles são da própria horta, que fica ali mesmo, em cima do mar! Se sobrar energia, vale visitar Rose, um pequeno vilarejo de pescadores no extremo norte da península.
Quero maiZ: Como eu estava de carro, fiz este roteiro pelo asfalto, mas é possível fazer todos os passeios de barco. Além de ser um programa maravilhoso, é uma forma de evitar as multidões, já que a baía tem milhares de pequenas praias e alcovas que são acessíveis apenas pelo mar.








